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Apresentado o “’índice ecológico” no Chile

Por Gustavo González*

Este novo índice mede o consumo das pessoas para determinar seu impacto no meio ambiente. O resultado revela uma crescente desigualdade entre ricos e pobres.

SANTIAGO.- A pegada ecológica, que demonstra em termos de área territorial o consumo das pessoas, é outro testemunho da crescente distância entre ricos e pobres no Chile. Vitacura, um dos bairros de maior renda de Santiago, tem uma pegada ecológica 40 vezes maior do que a de Cerro Navia, bairro que figura entre os mais pobres da capital chilena. Assim estabeleceu, no início de novembro, o pesquisador Patricio Lanfranco, do Instituto de Ecologia Política (IEP), organização ambientalista não-governamental que promove no Chile o novo indicador, adotado pelo Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP) em seu relatório anual 2001.

A pegada ecológica é criação do suíço Mathis Wackernagel, especialista em desenvolvimento comunitário, e do professor canadense William Rees, da Universidade de Brittish Columbia, em Vancouver. A versão em espanhol da obra de ambos foi apresentada, junto com a pesquisa de Lanfranco, durante um seminário na sede da Comissão Européia para a América Latina e o Caribe, em Santiago. "A pegada ecológica avalia o impacto humano na natureza. Para viver, as pessoas consomem o que a natureza oferece. Assim, cada um de nós tem um impacto em nosso planeta", explica Wackernagel. Isto não é negativo, se não tomássemos mais do que a terra tem para nos dar, e o problema está precisamente no fato de este consumo de natureza vir excedendo esse limite razoável, alerta o especialista.

A pegada ecológica mostra quanta terra e água são utilizadas para produzir tudo o que uma pessoa consome, seja alimento, energia, meios de transporte, vestuário e outros bens materiais ou intangíveis que sustentam um determinado estilo de vida. Rees e Wackernagel estabeleceram como parâmetro para medir o consumo e a absorção do lixo que este gera, a disponibilidade de solos produtivos no mundo em relação ao volume da população.

Assim, a unidade de cálculo da pegada ecológica é o hectare, medida de superfície equivalente a dez mil metros quadrados. O planeta proporciona atualmente, em média, dois hectares por pessoa. Em 2050, com uma população mundial de dez bilhões de habitantes, o espaço cairá para 1,2 hectare. As perspectivas são críticas, já que atualmente a pegada ecológica da humanidade é 30% maior do que os recursos existentes no mundo. "Consumimos mais do que a natureza pode nos dar", afirmou o especialista suíço.

A distribuição ou uso desse patrimônio é absolutamente desigual. Um canadense ocupa, em média, 7,7 hectares para sustentar seu estilo de vida. Um norte-americano, cerca de dez hectares, um mexicano 2,6 hectares e um habitante da Índia apenas 0,8 hectare. Em sua pesquisa, Lanfranco indica que o Chile tem uma pegada ecológica média de 3,5 hectares, com um déficit bio-produtivo de 0,7 hectares. O bairro de Vitacura tem uma pegada ecológica de 22,6 hectares por habitante ao ano, enquanto a de Cerro Navia é de 1,27 hectare por pessoa.

Com quase 172 mil habitantes, o empobrecido bairro de Cerro Navia tem o dobro da população de Vitacura. Lanfranco explicou que a pegada não depende apenas do consumo, mas também do tipo de produto que é adquirido, já que não é o mesmo gastar US$ 10 em alimentos produzidos na terra do que com gasolina. "Vitacura tem, em relação a Cerro Navia, uma pegada 40 vezes maior em energia fóssil e de seus 22,6 hectares, 17,57 são explicados unicamente por consumo de energia", disse o pesquisador chileno. Não é à toa, pois Vitacura é a comunidade de Santiago com a taxa de veículos motorizados por habitante mais alta do Chile.

* O autor é correspondente da IPS


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