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“Aumentará o ressentimento para com os Estados Unidos”

Por Redação Terramérica*

A crise é uma oportunidade para analisar temas mais profundos, afirma Deepak Chopra nesta conversa com o Terramérica. Ele também alerta que a guerra não é compatível com o desenvolvimento sustentável e sugere que o mundo deve encontrar soluções mais criativas.

Deepak Chopra é um dos mais famosos praticantes da medicina alternativa nos Estados Unidos, um mercado de US$ 27 bilhões. Em seu luxuoso spa em Carlsbad, na Califórnia, chegam executivos e estrelas de cinema ansiosos por encontrar estabilidade emocional e física. Endocrinologista com formação nos Estados Unidos e em sua Índia natal, Chopra é por si só uma celebridade. Muitos de seus seguidores o consideram um líder espiritual e o lêem com fervor. Seus livros, traduzidos em 25 idiomas, são vendidos aos milhões. “Rejuvenesça, Viva Mais”, é o seu livro mais recente.

Chopra também é um pacifista: é padrinho da Aliança Global Estratégica para a Nova Humanidade (GSA), que promove ações contra o armamentismo e a guerra. Em conversa exclusiva com o Terramérica, na Califórnia, Chopra critica “o arrogante unilateralismo” dos Estados Unidos e convida a encontrar soluções criativas para a violência, as desigualdades econômicas, a devastação ecológica e o consumo insustentável.

- Existe um sentimento global de incerteza na ante-sala da guerra Estados Unidos-Iraque. Qual é seu estado de ânimo?
- Esse sentimento global de incerteza poderia ser, para os líderes mundiais, uma oportunidade criativa de olhar para os problemas reais de nosso tempo. Quase a metade do mundo vive com menos de US$ 2 por dia. A globalização da economia mundial aumenta a distância entre os “que têm e os que não têm”. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas são os responsáveis pela fabricação, venda e comércio de 90% das armas no mundo. Os Estados Unidos e outros países do Ocidente continuam agindo unilateralmente. Washington opôs-se ao tratado de proibição total de armas nucleares e rejeita o fortalecimento da convenção sobre armas biológicas e tóxicas. Também rechaçou o Protocolo de Kyoto (contra a alteração climática), criticou o tratado sobre as minas terrestres e negou-se a assinar um tratado sobre os direitos das crianças. Semelhante unilateralismo arrogante somente criará mais ressentimento em um mundo que vê como 4,5% da população global (Estados Unidos) tenta dominar 95,5% da população do planeta. Meu estado de ânimo é de serenidade e de desejo por um entendimento mais profundo das raízes que causam a violência.

- A guerra é compatível com o desenvolvimento sustentável?
- Não, não é. É irônico que países com poderia militar sintam orgulho. Como podem as nações civilizadas estarem orgulhosas dessas atividades tão desacreditadas cuja finalidade é a morte e a destruição? Como corpo coletivo, o mundo deve encontrar soluções criativas para a violência, as desigualdades econômicas, a devastação ecológica e o consumo insustentável.

- Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o senhor escreveu o livro “Forgiveness, One Hundred Reflections of Deepak Chopra”. (O Perdão, Cem Reflexões de Deepack Chopra). O que há de novo nessa obra?
- A crise é uma oportunidade para olhar para temas mais profundos. Os ataques terroristas foram um sintoma de uma ferida mais profunda. Devemos olhar para nossa interligação e interdependência em todos os espaços da vida. Compartilhar não apenas nossas vitórias e nosso conhecimento, como também nosso sofrimento. Quando existe um sofrimento compartilhado, nasce a compaixão. Onde há compaixão, há amor. Onde há amor, há uma oportunidade para curar-se.

- A corrente de pensamento, da qual o senhor vem, mantém estreito vínculo com a natureza, algo que a sociedade ocidental parece ter perdido. Pode ser recuperado?
- Todo ser humano tem um sentido de conexão e um forte vínculo com a natureza. Este vínculo pode ser renovado chamando a atenção das pessoas sobre a beleza de nosso planeta, recordando-lhes que o meio ambiente é nosso corpo ampliado. É responsabilidade dos meios de comunicação educar, e não apenas entreter.

- Alguns setores o criticam por “comercializar a espiritualidade”. O que o senhor responde?
- Não creio que seja necessário ficar na defensiva por se ter êxito. A tradição da qual venho tem quatro metas: o êxito material, a prática de seu dharma, isto é, contribuir para o bem-estar do mundo, a alimentação das relações e a busca da iluminação, ou seja, aquele estado de consciência onde experimentamos nossa universalidade e nosso vínculo comum de amor. Tento cumprir essas metas. O que as pessoas pensam de mim não é assunto meu.

Para saber mais, entre no site www.chopra.com.

 


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Deepack Chopra / Crédito: The Body, Mind & Spirit Photo Gallery