Reportajes
PNUMAPNUD
Edición Impresa
MEDIOAMBIENTE Y DESARROLLO
 
Inter Press Service
Buscar Archivo de ejemplares Audio
 
  Home Page
  Ejemplar actual
  Reportajes
  Análisis
  Acentos
  Ecobreves
  Libros
  Galería
  Ediciones especiales
  Gente de Tierramérica
                Grandes
              Plumas
   Diálogos
 
Protocolo de Kyoto
 
Especial de Mesoamérica
 
Especial de Agua de Tierramérica
  ¿Quiénes somos?
 
Galería de fotos
  Inter Press Service
Principal fuente de información
sobre temas globales de seguridad humana
  PNUD
Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo
  PNUMA
Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente
 
Artigo


Revelados insuspeitos mistérios do mar

Por Cristina Hernández*

Dez países latino-americanos participam de um censo marinho global que, em sua primeira fase, descobriu cerca de 500 novas espécies de peixes. Seus autores explicam ao Terramérica como descobriram os mais resguardados segredos do oceano.

SÃO FRANCISCO, ESTADOS UNIDOS.- Centenas de cientistas de 53 países, dez deles latino-americanos, completaram a primeira fase de um censo marinho global para conhecer os mistérios de espécies milenares desconhecidas e de hábitat inimagináveis. O ambicioso Cento da Vida Marinha (CoML, sigla em inglês), que irá até 2010, apresentou seu primeiro relatório na semana passada, em Washington. Desde seu início, há três anos, o conglomerado internacional de cientistas conseguiu uma base de dados com 15.304 espécies de peixes. Estima-se que mais cinco mil esperam para serem descobertas e que a quantidade de formas de vida marinha poderia superar os dois milhões.

Cerca de 500 novas espécies de peixes foram identificadas, entre elas o peixe-escorpião (Scorpaenopsis Vittapinna), na região dos oceanos Pacífico e Índico, e duas espécies de peixe-granadeiro (Caelorinchus mediterraneus e Ventrifossa Paxtoni), no Mar Mediterrâneo e no Mar da Tasmânia, respectivamente. A iniciativa, que reúne 300 cientistas, custará US$ 1 bilhão, em sua maior parte financiados pela Fundação Alfred P. Sloan. O primeiro relatório revisa o conhecimento atual da biodiversidade marinha e os resultados dos planos preliminares. Na apresentação foram incluídas imagens nunca vistas das profundezas do mar, como vibrantes ecossistemas situados a 4,5 mil metros de profundidade, onde nenhum explorador humano havia chegado antes, e onde se acreditava que somente houvesse lodo.

“O objetivo principal do censo é determinar a abundância das espécies marinhas e entender como variam com o tempo”, disse ao Terramérica o especialista Frederick Grassle, da Universidade Rutgers (EUA) e diretor do Comitê Científico do CoML. “Esperamos obter uma enciclopédia taxonômica da vida marinha”, acrescentou. Uma das descobertas mais importantes até agora, segundo o relatório, é a descoberta no leito marinho, perto da costa atlântica de Angola, de “um ecossistema com mais espécies por área do que nenhum outro ambiente aquático conhecido na Terra. Cerca de 80% das espécies coletadas são novas para a ciência”.

O CoML está formado por quatro áreas: História de Populações Animais Marinhas, Futuro de Populações Animais, Sistema de Informação Biogeográfica Oceânica (Obis) e Projetos-Piloto de Pesquisa. Por seu monumental tamanho, a iniciativa enfrenta muitos desafios. “O principal obstáculo foi determinar um plano básico”, disse ao Terramérica o cientista canadense Ron O’Dor. coordenador do censo. “Não podemos encontrar tudo o que existe, mas com as novas tecnologias e o entusiasmo que cerca o projeto podemos fazer um bom trabalho”, afirmou.

Entre 500 e mil anos de informação sobre o mar são estudados em busca de uma imagem das comunidades marinhas anterior à explosão da pesca mundial. O objetivo é prever as variações das populações marinhas diante de alterações do clima e pelas atividades humanas. “Com a informação que agora temos buscamos criar modelos (matemáticos) dos processos nos ecossistemas dentro do contexto do que existiu no passado”, explicou Grassle. Para a exploração dos mares, o CoML utiliza a tecnologia mais avançada. Os dados dos processos marinhos alimentam o Obis, que se pretende que seja um catálogo eletrônico de informação pública com fins educativos.

A América Latina está representada por um comitê de todos os países sul-americanos com costa marinha. A reunião constitutiva do comitê acontecerá no próximo mês no Brasil. “Um dos êxitos da região é que a informação disponível em nossos países poderá ser compartilhada em nível mundial através de um Obis sul-americano”, disse ao Terramérica o diretor do Centro de Pesquisa Oceanográfica no Sudeste do Pacífico da Universidade de Concecpción do Chile, Victor Ariel Gallardo, e membro do comitê científico do CoML.

Atualmente, pesquisadores instalados na América do Sul e no Golfo de Maine, no Atlântico setentrional, estão calibrando continuamente gravações sonoras de grupos de peixes. Unidades experimentais emitem sons de banda larga que criam imagens virtuais capazes de distinguir peixes e até diferenciar espécies. O inventário marinho permitirá um conhecimento dos recursos do mar para sua exploração e sua conservação. Por exemplo, entre as descobertas destes três anos se constatou que o hábitat das tartarugas marinhas baula (Dermochelys coriacea), em risco de extinção, encontra-se em estado crítico no Oceano Pacífico oriental. “A meta é tentar fazer com que os pescadores evitem caçá-las”, diz o relatório.

“Os recursos marinhos são alvo de prolongada exploração, paralela ao desenvolvimento das populações humanas”, disse ao Terramérica o secretário-executivo da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Patrício Bernal. “Estas espécies podem ocupar lugar fundamental nas cadeias tróficas e sua redução ou desaparecimento pode ter efeitos ampliados nas comunidades biológicas", acrescentou. “Estamos matando grandes espécimes marinhos a uma taxa maior do que a esperada”, disse Grassle. “Quando desaparecer o maior predador da cadeia alimentar, todo o sistema se modificará substancialmente”, explicou.

Um dos projetos-piloto em desenvolvimento, chamado Rotulação de Pelágios do Pacífico, objetiva determinar os padrões de migração e comportamento de grandes predadores que se encontram na parte superior da cadeia alimentar. São colocados microprocessadores - capazes de armazenar informação e de serem rastreados por satélites - em baleias, tubarões, tartarugas marinhas e atuns do Pacífico setentrional. Até agora, eram vistos emergindo até a superfície para desaparecem em seguida. Hoje sabe-se que percorrem grandes distâncias. Entender suas migrações ajudará a esclarecer os ecossistemas visitados. Os resultados do CoML permitirão descobrir novos medicamentos, redefinir a conservação de espécies e da pesca e avançar na indústria.

“Existem organismos hidrotermais que funcionam a grandes temperaturas e alta pressão”, explicou Grassle. “O uso de enzimas desse tipo permitiria acelerar processos industriais hoje desenvolvidos lentamente”, acrescentou. uma das espécies descobertas na primeira fase do censo foi uma esponja marinha vermelho-brilhante, chamada de “rasta sponge”, cujos compostos poderiam ajudar no tratamento de câncer. O saldo dos primeiros três anos? “Cerca de mil cientistas expressaram interesse em participar do projeto”, disse o coordenador do censo, O’Dor.”Isto nos ajuda a avançar com maior segurança”, concluiu.

* A autora é correspondente da IPS.


Copyright © 2007 Tierramérica. Todos los Derechos Reservados
 

Crédito: Mauricio Contreras
 
Crédito: Mauricio Contreras

Enlaces Externos

Censo da Vida Marinha

Rotulação de Pelágicos do Pacífico

Atlas do Oceano

Comissão Oceanográfica Intergovernamental - Unesco

Universidade de Concepción - Chile

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos