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Lixo eletrônico aumenta junto com seus riscos

Por Daniela Estrada *

O Chile não sabe o que fazer com toneladas de celulares, computadores e outros artefatos obsoletos. Somente em junho foi aprovada uma lei que regulamenta seu manejo.

SANTIAGO.- Computadores e telefones celulares fora de uso estão aumentando a montanha de lixo eletrônico no Chile, mas poucos parecem se dar conta dos problemas ambientais que acarretam. Os metais pesados dos componentes eletrônicos, como cádmio, chumbo e mercúrio, são perigosos para a saúde e o meio ambiente. A quantidade de equipamentos obsoletos que se acumula no Chile é preocupante: mais de cinco milhões de celulares, mais de um milhão e meio de computadores e milhares de outros artigos, como televisores, vídeos, gravadores, calculadoras, impressoras e fotocopiadoras.

“A situação é grave porque neste país nem mesmo foi solucionado o problema do lixo domiciliar. Em lugar de aterros sanitários continuam existindo lixões e quase não se pratica a reciclagem”, disse ao Terramérica a diretora do não-governamental Programa Chile Sustentável, Sara Larraín. Somente em junho deste ano foi aprovado o Regulamento Sanitário sobre Manejo de Resíduos Perigosos, que é um passo adiante no tratamento de lixo, apesar de não ser suficiente porque não está acompanhado da necessária fiscalização, acrescentou.

Enquanto, em 1990, dez mil pessoas possuíam um telefone celular, em março de 2004 foram contabilizados 7,93 milhões desses aparelhos em todo o país. Segundo cálculos da Subsecretaria de Telecomunicações (Subtel), no final deste ano, os usuários desses equipamentos chegarão a nove milhões. Questão semelhante acontece com os microcomputadores. Em 1994, foram vendidos pouco mais de cem mil, para chegar a um recorde de quase 420 mil aparelhos em 2000. No ano passado, os chilenos adquiriram 407.742 computadores. Um telefone celular tem vida útil média de 18 meses, enquanto um computador fabricado em 2004 será considerado ultrapassado dentro de três anos.

Boa parte destes novos desperdícios, também conhecidos como “e-waste” (“electronic waste”, lixo eletrônica em inglês), acaba em um depósito no bairro Carrascal, localizado no ocidente de Santiago. Ali os equipamentos são desmontados e as peças ainda úteis são vendidas. O restante vai se acumulando. Estes problemas não são exclusivamente chilenos. No Primeiro Seminário de E-Waste, realizado em outubro, em Santiago, alertou-se que apenas 11% do lixo eletrônico produzido no mundo é reciclado.

Entende-se por reciclagem a desmontagem para recuperar peças, a reutilização de metais e outros materiais e seu envio para processos de fundição. Os materiais recicláveis podem ser transformados para fabricação de novos produtos. A única empresa chilena que se dedica a recuperar peças de produtos eletrônicos é a Recycla, que garante utilizar apenas tecnologias limpas no processo. A empresa, com dois anos de vida, conta com uma planta na localidade de Pudahuel, no ocidente de Santiago, e está capacitada para receber computadores e celulares e tratar alumínio, cobre, bronze, aço inoxidável e chumbo, que depois vende para a indústria.

A Recycla tem contratos com várias grandes empresas chilenas e também estabeleceu uma aliança estratégica com a Hidronor, a única companhia local dedicada ao manejo de lixo perigoso, à qual entrega as baterias de celulares e monitores de computadores. A Recycla realiza uma campanha de conscientização entre as empresas e autoridades sanitárias. Seu gerente de meio ambiente, Mauricio Núñez, disse ao Terramérica que é difícil conscientizar o setor empresarial sobre a gravidade do problema. “Sabemos que é um processo lento, mas estamos certos de que, na medida em que mais empresas obtenham a certificação ISO 14000 (conjunto de normas da International Organization for Standardization que orienta as empresas a cuidarem de seus resíduos), a questão vai se transformar”.

Tanto a Recycla quanto a Chile Sustentável assumem que a população tem escasso conhecimento da importância da reciclagem dos produtos eletrônicos. Para Larraín, enquanto não houver uma política nacional que determine, entre outras obrigações, a certificação de produtos, o consumidor chileno estará longe de entender a importância desse assunto. “Se os produtos receberem uma etiqueta indicado que foi produzido dentro de altos padrões ambientais, como se faz na Europa, as pessoas terão um novo fator de escolha, não só o preço e a qualidade”, destacou a ecologista.

* A autora é colaboradora da IPS.




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Enlaces Externos

Recycla

Programa Chile Sustentável

Comissão Nacional do Meio Ambiente

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