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Poucos apostam em casas verdes

Por Francesca Colombo*

Calcula-se que existam na Itália apenas 1,5 mil casas ecológicas. Trata-se de um mercado incipiente, apesar de estes imóveis poderem representar economia em serviços de até 43%.

MILÃO.- As casas ecológicas respeitam o homem e a natureza, economizam energia e melhoram a qualidade do meio ambiente, mas são apenas 1,5 mil na Itália, onde as periferias das cidades são enormes blocos de concreto. Cada uma delas custa 15% menos do que as casas tradicionais. Porém, a longo prazo representam economia de 30% a 43% nos gastos de energia elétrica, gás, calefação e água. Segundo estimativa da Federhabitação (federação de 3,3 mil cooperados de moradias italianas), estes gastos são de aproximadamente US$ 2 mil por uma casa tradicional de cem metros quadrados, e de US$ 1,2 mil por uma casa verde com a mesma área. “Na Itália, o conhecimento da casa verde ainda é baixo”, disse ao Terramérica Giovanni Vaccarini, diretor do escritório de arquitetos Vaccarini, na região de Abruzzo.

Entretanto, o governo dá incentivos e benefícios, como financiamento regional para energia renovável ou descontos no imposto municipal para imóveis, que poderiam esquentar o mercado, segundo Vaccarini. “A casa ecológica tem uma filosofia que estuda a orientação da construção, o terreno e a natureza que o cerca. Faz uma análise do uso racional dos recursos e da energia. No verão protege do Sol e do calor e, no inverno, do frio. Usa água reciclada e materiais atóxicos”, explicou ao Terramérica o coordenador do projeto europeu Federhabitação, Roberto Ballarotto.

A escolha do terreno toma por base sua relação com o Sol, o vento, a água e a vegetação. Também deve estar longe dos campos eletromagnéticos produzidos por redes elétricas, transformadores ou estações de telefonia móvel, e de fontes de contaminação acústica, como rodovias. A vegetação que o cerca é usada para economizar energia, gerar calefação ou ar natural. A orientação de sua fachada e do teto asseguram a máxima disponibilidade da luz natural e otimizam o uso de fontes renováveis de energia, como a solar, por exemplo. As casas ecológicas são construídas com materiais naturais, como argila e tijolo. A pintura é feita com tinta à base de água e pigmentos naturais. O assoalho chega das plantações destinadas a essa finalidade, e não de desmatamento de florestas naturais. Por outro lado, as casas tradicionais usam mais de 50 mil substâncias tóxicas (vernizes, fungicidas) para a construção e decoração.

“A Itália está atrasada com relação aos países nórdicos, mas se recupera”, disse ao Terramérica o arquiteto Ugo Sasso, do Instituto Nacional de Bioarquitetura, na província de Bolzano, na região Alto Adige. Nos últimos dez anos, houve alguns esforços para incentivar a construção sustentável, sobretudo ao norte do país (nas regiões de Alto Adige, Veneto e Lombardia). Em Milão, por exemplo, o velho bairro industrial de Bovisa (na periferia norte) está em plena transformação. Ali nasceu o primeiro estúdio cinematográfico italiano, Armênia Films, onde foram feitos os primeiros filmes mudos, como O Inferno, baseado no livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Hoje, tem um dos quatro ecoedifícios da Itália. Seus proprietários economizam cerca de US$ 715 por ano em contas de luz, água, calefação e ar-condicionado. Bovisa é parte do projeto A Casa Ecológica na Europa – SHE (Sustainable Housing in Europe, siglas em inglês), que acontece em Portugal, França e Dinamarca, e que construirá 714 moradias sustentáveis entre 2003 e 2008,. O projeto é coordenado pela Federhabitação européia e financiada pela Comissão Européia, dentro do programa Quadro de Pesquisa e Desenvolvimento e do subprograma Energia, Meio ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Cidades do Futuro e Herança Cultural.

“Antes, pensava que a bioarquitetura estava reservada apenas a uma elite em virtude do custo da tecnologia e dos materiais. Hoje, cada vez mais cooperativas se interessam por projetos de construção sustentável”, disse ao Terramérica Serena de Natgale, da organização não-governamental Legambiente.

* A autora é colaboradora do Terramérica.




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